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Sem rumo

Peguei a mochila e saí. Eu já não tinha amigos e nem paciência. Guardei algumas roupas e meti o pé na estrada. Trouxe a câmera, uns trocados e uma carteira de cigarro. Deixei tudo para trás. Fui buscar liberdade, sossego, história. Sozinha. No celular as mensagens chegavam de diversos números, mas eu queria distância. Gostava de correr riscos. Antes de sair deixei um recado na porta da geladeira para minha mãe. “Logo eu volto. Mas não sei quando. Ficarei bem, prometo. Fique também”. Enfrentei frio e chuva, calor e fome. Encontrei lagoas e lagos. Me banhei em água fresca e cachoeiras de água morna. Senti medo, mas não quis voltar. O mapa tava na mão. Eu nem sei aonde estava indo. Ouvi histórias pelo caminho. Pedi abrigo, fotografei em troca de umas moedas. Emagreci. Engordei. E segui. O choro era constante e eu ainda estava me adaptando à nova rotina. Porque essa era a minha vida agora. Continuo andando. Quem sabe um dia alguém me encontra e me faz ter vontade de ficar pra sempre. Quem sabe um dia eu me encontro. Quem sabe?

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