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minha velhice

São seis e meia da manhã. Acordo com muitos passarinhos cantarolando do lado de fora da janela, que está entreaberta. Levanto lentamente e ajeito a camisola, colocando por cima o cobertor quentinho. Faço isso desde a juventude. Mas só aprendi a usar roupa na hora de dormir quando comecei a sentir dor nos ossos frequentemente. Embora eu adorasse frio, ele era quase um inimigo. Caminho até a janela e abro as cortinas; faz frio. As flores despertam aos poucos. Desço as escadas e preparo um café. Ligo a tv e coloco no canal de música - também tenho esse costume desde a juventude. Sempre adorei música ao acordar; faz o meu dia começar melhor. Desconheço o artista e a música que toca. Há gatos em todo o canto. Não lembro quando comecei a cria-los, mas sei que foi por influência da minha filha. Há dois cães soltos no jardim. Quase não recebo visitas, mas mantenho a casa arrumada porque gosto dela assim. Só meus animais me aguentam. Talvez por isso eu só tenha a eles agora, aos meus 71 anos. Eu, minha casa, meu jardim, meus bichos e musica. Muita música. Muita flor e sossego. Estou sozinha, mas me sinto em paz.

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