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zé ramalho - na beira do mar

Quando é que você vai vir para que possamos fugir na madrugada? Pegamos o carro e vamos para a estrada, ficar olhando as estrelas, tentando acertar o nome de cada constelação. Eu não consigo achar meu caminho me baseando na posição em que elas se encontram, mas eu tenho você como meu guia e nunca me perco. Elas são testemunhas dos nossos beijos e das nossas promessas; elas observam nossas mãos entrelaçadas enquanto estamos deitados em cima do carro. O vento começa a soprar mais forte e você me abraça, me esquenta e me deixa segura. Talvez o tempo mude, as estrelas desapareçam e as nuvens comecem a cobrir o céu. Voltamos para casa debaixo de chuva, você dirigindo com calma e a voz do Zé sendo nossa trilha sonora. Eu quero muito isso. Te digo para parar numa avenida qualquer porque quero muito te dar um beijo. E você para. Nos olhamos. Posso sentir tua respiração à medida em que teu rosto se aproxima do meu. E eu consigo ser feliz nesse pouco tempo contigo. Ou pelo menos imaginando que estamos assim. Eu, no seu colo, encostada no teu peito, recebendo um pouco de cafuné, enquanto sinto teu perfume. Acho que não preciso de muita coisa, sabe? Só que você venha ouvir Zé comigo numa noite chuvosa. 

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