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A dor que tu ausência me causa ainda é forte. Já se passaram tantos anos e tudo ainda me fere. Não falo teu nome, evito ver tuas fotos. Não tenho coragem de apagá-las, tampouco vê-las. Os remédios não fazem efeito. Minha mãe entrou em desespero vendo minha decadência e fica triste por mim. Lamento, mas isso não muda. Minha filha respeita essa dor e apenas me abraça. Meus amigos há muito tempo não me apresentam alguém; já sabem que de nada adiantaria. Ninguém serve. Não quero ninguém. Sumi por um tempo de todos os lugares onde eu poderia te encontrar ocasionalmente (e com outra pessoa, talvez, o que me seria pior). Nunca aceitei nosso fim. Sequer aceitei que nunca tivemos um começo. Nunca mais me apaixonei, mas antes só, do que estar com alguém sem amá-lo. Não me permito. Meu corpo ainda te espera. Quanto tempo isso ainda vai durar? Eu não sei... Apesar de saber o quanto estás bem (e isso deveria me deixar feliz, pelo menos. Por você), meu egoísmo não me deixa seguir em frente. Te esperei tantos anos, fizemos tantas promessas. Uma delas era de que eu seria sempre sua. E ainda sou. Estou sendo mesmo sem você saber. Continuo pensando e lembrando. Sem manifesto algum. Eu queria tanto que tivessem se tornado verdade... Ah, meu Deus, como eu queria... Me recuso a aceitar que uma hora isso aconteceria, que cada um teria que seguir seu rumo. O destino não quis nos juntar; não era pra ser. Me acostumei com a tristeza e com a solidão. Já faz tanto tempo... e meus textos ainda são sobre você. Para você. Quanto tempo isso ainda vai durar?

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