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Desabafo de uma manhã de sexta.

A sala de trabalho continua vazia. Andei lendo uns sites de revista e a Globo.com, assim como as colunas da Tati Bernardi e do Gregório Duvivier. Nada pra fazer. Penso. Em tudo um pouco. Não organizo minhas ideias e acabo pensando em nada. Aquele aperto no peito tá surgindo devagar e uma voz na minha cabeça me diz para stalkear as inimigas. Tentador - para uma pessoa como eu. Tão desgastante! Acabo me afogando em lágrimas, é sempre assim. Ignoro a voz e deixo pra lá. "Hoje não", respondo à maldita voz (que é apenas meu lado psicopata de ser tentando agir - não que eu me orgulhe em escrever isso). Uma pessoa como eu. Ciumenta e possessiva. Não tenho posses - não de pessoas que eu gostaria de ter. Queria escrever uma coisa feliz. OK: faltam três horas pro fim do expediente (isso não foi feliz, mas o que vale é a intenção).
Passo um tempo olhando para a tela do computador, enquanto troco umas ideias com meu colega ao lado.
Penso em mais algumas coisas e percebo que sempre penso a mesma coisa. Tão desgastante. Preciso aprender a lidar com minha raiva. Tenho que entender que sempre vai aparecer, bem no meio do nosso caminho, alguém que simplesmente não vai nos acrescentar em nada. Mas ela ainda vai estar lá, você querendo ou não. E eu ando cheia de gente desnecessária na minha vida. Não consigo deixar pra lá.
No fundo, todo mundo tem razão: to perdendo tempo. Mas quem disse que consigo abrir mão? A tristeza vem quando vejo que já não é como antes. Os diálogos, a forma de tratamento, os assuntos. A impaciência, grosseria e frieza tornaram-se frequentes. Tão desgastante. Aí eu penso: não preciso disso, não é o que quero pra mim. Mas quem disse que consigo abrir mão? Burra.
Queria escrever uma coisa feliz, mas me distraí olhando para a tela do computador e ouvindo o que meu colega ao lado contava. Outro dia eu tento.

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