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Seis da manhã

Seis e quarenta da manhã. Estamos deitados sobre minha cama, os lençois estão amarrotados, há embalagens de comida espalhadas pelo chão, o videogame dele está conectado à televisão, mas ambos estão desligados, e os controles estão em cima da cama também, juntamente com minha câmera, próximos aos nossos pés. Estou deitada sobre o peito dele, acariciando-o, e ele passa as mãos pelo meu cabelo, dando um beijo ou outro em minha cabeça. Acho que o sono finalmente está chegando, depois de termos passado a noite em claro, conversando e rindo. Tomamos café e vimos pela janela o nascer do Sol espantando a neblina da madrugada fria.

Falamos sobre nosso passado, sobre o tempo em que ficamos longe um do outro, de todos os nossos desencontros e de como o universo pareceu conspirar contra nós. Falamos sobre um provável futuro juntos, nossos filhos correndo pela casa, nossos cachorros, nossos livros e viagens. Sorrimos e nos beijamos. Nunca estive tão feliz. Falamos sobre o presente, sobre estarmos assim, juntos, abraçados, sentindo o cheiro e o toque um do outro, sobre o sorriso dele e minhas tatuagens, sobre nossa troca de olhares e de calor.

Levanto e pego a câmera. Fotografo nossas mãos juntas, entrelaçadas, fotografo nossos lábios colados um no outro, deixando nossos rostos pela metade, fotografo nossos pés, minha perna por cima da dele e vice-versa, fotografo nossa bagunça espalhada pelo quarto. Ele tira a câmera da minha mão e a coloca num canto da cama. Ele sobe em mim e beija minha boca, mordendo meus lábios, segurando meu rosto. Nossos olhares se cruzam e tenho vontade de dizer o quanto o amo, o quanto preciso dele assim, perto de mim. Mas tenho medo de que ele não diga e nem sinta o mesmo.

Ele beija meu pescoço, desliza as mãos pelo meu corpo delicadamente, e sussurra em meu ouvido: "você é minha". Minha respiração muda, fico ofegante e ele também. Arranho suas costas. Ele me olha com desejo, os dentes cerrados, evidenciando a mandíbula quadrada que tanto me atrai, e quando me inclino para beijá-lo, o telefone toca. Peço para que ignore e que continue me beijando, mas o toque não para e ele sai de cima de mim. Me viro para pegar o celular e quando olho novamente, ele já não está mais ao meu lado.

Abro os olhos devagar; a televisão está desligada. Não há nada no chão, além de alguns fios de cabelo. Estou sozinha no quarto, olho frustrada para o celular, que ainda toca e é apenas o despertador que me arrancou do paraíso, forçando-me a sair de um sonho bom e do conforto dos braços dele.

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