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Falta.

Queria entender esse meu afeto repentino por pessoas recém-conhecidas. A minha extrema necessidade de conversação e interação com quem, até então, era inexistente para mim. Queria entender como é possível sentir falta do que foi vivido em um pequeno espaço de tempo e até mesmo do que nem foi vivenciado ainda - nem será. Eu tenho me cansado das pessoas de sempre, de suas conversas sempre tão melancólicas - e veja bem, eu adoro tons de melancolia em cenas do cotidiano!-, seus assuntos sempre tão vazios e desinteressantes - e veja bem, eu sou a pessoa mais desinteressante do universo! Abro a agenda de sempre, rabiscada com uma coisinha aqui, outra ali, no cabeçalho, no rodapé da página, fico imaginando algumas outras tantas viagens e penso no quanto o mundo é gigante e eu adoraria conhecer mais pessoas, nem que fosse por dez dias. E talvez elas me fizessem escrever um trecho novo na minha agenda de sempre, me levariam para fotografar e conhecer outros lugares e me fariam escutar músicas novas, músicas que não ouço de costume, músicas muito melhores das que eu ouço de costume. Mas aí eu continuo deitada na cama de solteiro no quarto da minha mãe, com a agenda aberta, nada rabiscado, uma música melancólica tocando no fone de ouvido, uma lágrima acumulada no canto do olho, pensando no quanto eu poderia ter aproveitado (muito) mais os meus dez dias felizes. Como é possível sentir falta do que foi vivido em apenas um pequeno espaço de tempo, com quem, até então, era inexistente para mim?

Comentários

  1. talvez pelo fato de que o importa de vdd não seja a quantidade de tempo e sim a intesidade em que se viveu esse tempo...ou quem sabe seja apenas coisas de alaiza.......

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