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Long Live

A minha vontade era te dar um beijo bem dado. Era olhar no teus olhos e dizer que foi tudo uma brincadeira para testar você e a potência do teu 'gostar' e relação a mim. Mas me mantive firme. Por fora. Por dentro eu estava desmoronando e desabei mais ainda quando vi que no fundo você também sentiria falta do que nós fomos. Ou nem chegamos a ser. Eu te deixei ir, mas ainda sinto você como propriedade minha. Ninguém pega nem chega perto. Ilusão. Já tomaram você de mim e não há tempo para arrependimentos.

Você segurou minha mão e isso aumentava ainda mais minha esperança. Nós conversamos e rimos como não fazíamos há muito tempo. Isso me dá a certeza que longe ficamos melhor. Melhor, não. Ficamos bem. Mas a cama não vai ter mais o mesmo conforto sem você do lado. O café da manhã não vai ter a mesma alegria. Os filmes de terror -nem tão aterrorizantes assim- vão se tornar assustadores, enfim. Há tempos essa sensação de perda não embrulhava meu estômago. E até dor nas costas me deu só de imaginar outra pessoa acordando com teu sorriso; abraçando aquele que um dia foi meu mundo.

Você enxugou minhas lágrimas e eu quis te abraçar. Eu cochilei depois da conversa e achei que tudo não tinha passado de um pesadelo muito ruim, que eu tava acordando dele. Mas não era. Você vai e vem e eu me sinto uma intrusa que se recusa a deixar um lugar que não me pertence mais. Sua vida não me diz mais respeito. Minha vida não lhe condiz. Foi preciso que tudo isso acontecesse pra eu te ouvir dizer que eu sou a mulher que você escolheu pra ser mãe dos seus filhos. Não sei até quando essa ideia vai continuar, mas eu fiquei derretida.

Sua amizade é insuficiente pra mim, ainda que eu não queria nada além disso. É depressão pós-término de namoro. Ou casamento. Ou noivado. Sejá lá o que nós tínhamos. E eu tô na fase de escutar músicas tristes, escrever textos sem sentido -o que não é muita novidade- e te desejar por perto, quando, no fundo, não seja isso o que eu realmente precise. Vestidos de noiva não me atraem mais. Alianças foram perdidas, vendidas... E o pior de tudo -ou melhor- é que a gente vai estar sempre interligados por uma razão muito maior.

Eu vou ficar aqui por enquanto. Hora desejo que seja só uma fase, que a gente aproveite muito, como adolescentes despreocupados e sem responsabilidades, que só precisavam se distrair com pessoas diferentes, conhecer novos lugares, novos rostos, fazer coisas novas. E depois a gente volta e se casa e nunca mais se separa. Hora desejo que as coisas continuem assim: eu e você, bons amigos. Nada mais.

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