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Dia 18

Seria um baile dos 15 anos de alguém. Festa à fantasia, com o tema clássico de príncipes e princesas. Todos mascarados e meninas com vestidos perfeitamente trabalhados. Numa determinada hora, eu subira as imensas escadas do castelo em busca do toillet mais próximo e parei pra observar a lua, que refletia seu brilho através das janelas cobertas por longas e delicadas cortinas. Eu já não lembrara a razão pela qual estava ali e esqueci de vez quando vi você subindo a escadaria com um sorriso lindo, terno impecável e a famosa flor vermelha no bolso esquerdo do paletó. Você se juntou a mim e ficamos contemplando a lua por um tempo. E depois de muita conversa, nossos lábios se tocaram pela primeira vez. Pelo menos foi assim em todos os meus sonhos.

Durante várias noites eu sonhava com essa cena e por muitos dias eu esperei por esse beijo. E quando ele veio, foi entre o vai e vem de carros e o tagarelar de pessoas estressadas e cansadas depois de um dia cheio de estudo e trabalho. Mas nada disso importou naquele momento. No momento em que sua mão agarrou minha nuca, me puxando pra perto do seu corpo quente e acolhedor. E não poderia ter sido melhor.

Cá estamos nós. São exatos 4 anos e 4 meses. Mas agora já são 19. E estamos muito bem, obrigada. Eu não vou te pedir mais um beijo ou mais um abraço, porque uma hora ou outra você vai chegar espontaneamente oferecendo carinho. Não vou tocar em assunto de casamento, ainda que tua aliança não esteja no dedo, mas não posso deixar de exigir o teu sobrenome no final do meu. E me resta aceitar que daqui pra frente nada vai ser como era no começo.

E ainda bem que nada é como foi no começo. Agora temos outras preocupações, mas você continua sendo meu menino imaturo e chorão de sempre. E eu te imagino um menino chorão e zangado daqui a 18 anos, 20 ou 30, porque você vai ser sempre o meu menino. Eu ainda quero estar com você aos 80 anos e eu não peço nada além da sua companhia esquentando meus pés no final da noite.

Talvez nós devêssemos sair da rotina hoje. Ou amanhã. Ou no dia 18 do próximo mês. Ou talvez a gente só precise ficar assim: juntos. Seja na rotina ou fora dela. Seja numa noite estrelada ou num dia ensolarado. Deixa-me sentir teu perfume e observar teu sorriso ainda que não seja nas escadarias de um palácio. Deixa-me cuidar de ti, porque nos meus 15 anos tu cuidou de mim e observou a Lua comigo enquanto todos dançavam.

Amanhã já são 20 e a única exigência que eu te faço é que continue segurando minha nuca, me puxando pra perto de ti.

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