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Pequeno conto de amor

E então o procurei para que pudéssemos esclarecer qualquer mal entendido que tivesse ficado entre nós. Mas ninguém me recebeu. Toquei a campainha inúmeras vezes, mas nenhum sinal de vida me foi dado. Chamei no telefone, enviei cartas, e-mails, mas não obtive nenhuma resposta. Passaram-se dias, semanas, meses, anos e perdemos todo e qualquer contato. Durante todo esse tempo, pensei como poderíamos ter sido felizes, se não tivéssemos enganados um ao outro. Ou se simplesmente tivéssemos sentado pra conversar e pôr tudo em pratos limpos, todas as nossas dúvidas ou medos. Mas decidimos agir feito crianças e não nos demos nenhuma chance de continuarmos sendo dois. Quando o procurei já era tarde, ele já havia partido. 

Não sei por qual razão preferiu ir sem qualquer despedida. Imagino que seus sentimentos ainda estivessem muito aflorados para encarar de frente aquela que só o fez mal. Hoje me encontro sozinha, tomando um café forte e amargo, amargo do mesmo jeito que meus dias se tornaram desde que o perdi. Ouço o violão do tímido cantor que se apresenta no palco logo à frente, tentando conseguir uns trocados e, de cara, me identifico com suas canções. Continuo frequentando este mesmo bar por dias e dias... Eis que uma figura conhecida se aproxima e pergunta se pode me fazer companhia. Não acreditei. 

Observei aquele rosto com a expressão envelhecida pelas marcas do tempo e nem tive atitude em dizer qualquer simples cumprimento que fosse. Foi então que ele começou a dizer que desde o tempo que deixamos de nos ver e falar, não houve um só dia em que tivesse parado de pensar em mim, em nós. Minhas esperanças voltaram a fluir, despertando em mim uma sensação há muito tempo não mais sentida. Ele continuou falando e disse que naquele momento, anos atrás, não podia voltar e nem se permitiu tentar, pois não estava preparado para encontrar com a triste parte da história que o destino lhe reservara. Foram precisos todos esses anos para que ele pudesse se recuperar de uma decepção tão grande, vinda justamente de um romance onde ele apostara todas as suas fichas. Ele sabia que me encontraria no bar, pois lembrou-se que todas as vezes em que estava triste ou frustrada, eu afogava minha mágoa em intermináveis copos de bebida. 

Sabia também que eu, assim como ele, continuava pensando na nossa história; que, apesar das minhas aventuras amorosas, era para os braços dele que eu corria quando me dava conta da besteira que cometia, até que ele cansou. E realmente, desde que inaugurou esse novo bar, eu vou lá todos os dias, mas para tomar café ao invés de álcool. Ele ali, sentado na minha frente, olhando nos meus olhos e segurando firmes minhas mãos frias e trêmulas pelo nervosismo, disse que agora estava pronto pra tentar de novo, que gora já éramos mais dois jovenzinhos irracionais, querendo experimentar novas paixões, a ponto de se entregar ao primeiro 'ombro amigo' na hora de uma crise conjugal. 

Eu quis dizer a ele o quanto sentia muito por todo o mal que lhe causei no passado, mas ele foi mais rápido que eu: passou a mão em meus cabelos, segurou firme minha nuca e me envolveu num caloroso beijo. Ah, que beijo! Senti o tempo parar e desejei que aquilo não tivesse fim. Então percebi que não poderia me arrepender das coisas que havia feito, pois foi por causa de tudo aquilo que notei o quanto de amor ainda existe, e como ele é verdadeiro e forte. Depois de anos, nem o tempo conseguiu apagar a parte bonita da nossa história. Porque as coisas acontecem no seu devido tempo. 

Quando é pra valer, não importa quantas voltas o mundo vai dar: lá estará você e seu destino juntos mais uma vez.

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